IoT além do Hardware

IoT

Tenho participado de muitos eventos e falado bastante sobre IoT no último ano. Uma pergunta recorrente que me é feita é sobre qual placa comprar para iniciar no mundo do IoT. OK… mas porque você tem de comprar uma placa para iniciar no mundo do IoT?

A ideia aqui é ver o que circunda o mundo do IoT, do que ele é formado e como podemos entrar nesse mundo mesmo sem o conhecimento imediato de hardware.

IoT é um acrônimo para Internet of Things, ou internet das coisas. Pois bem, notem que temos no mínimo três aspectos aqui: As coisas, a internet e sua integração. Isso é o básico em IoT, temos de ter o Hardware, a Internet e eles tem de conversar. Parece algo simples, porém temos muitos conceitos envolvidos.

Quando falamos do hardware, na grande maioria dos casos estamos falando da parte “burra” da brincadeira. O que as coisas fazem? Em sua maioria apenas transmitem dados, ou seja, onde está a revolução por traz do IoT.

Histórico

Já temos coisas conectadas na internet há muito tempo. O chamados sistemas embarcados já são um mercado consolidado a anos. Isso não é uma novidade em termos tecnológicos. Temos citações mais antigas, porém o modelo atual do chamamos IoT foi discutido amplamente a partir de 1982 com a famosa Coke Machine da Carnegie Mellon University. Uma máquina de Coca-Cola conectada na internet que era capaz de informar o inventário e se as bebidas estavam geladas. Agora começa um ponto importante, a máquina não está apenas conectada, existe uma relevância e propósito.</p>

Qual a base do IoT?

Quando falamos de IoT, temos um fluxo base para se delimitar o que é o que não é internet das coisas.

fluxo-iot

Parece sutil, mas essa é a diferença que tem movimentado o mercado de forma tão agressiva nos últimos anos. Notem que o fluxo é composto por Coisas que estão conectadas, gerando dados e inteligência. É isso que entendemos como IoT, essa é a verdadeira revolução, a inteligência vinda com o IoT.

Como assim?

No Japão, por exemplo, a Fujitsu converteu em 2013 parte de sua fábrica de semicondutores em uma “fábrica de vegetais”. Um complexo de 2 mil m², que combina técnicas sofisticadas de agricultura e tecnologias de comunicação gerando milhares de dados via as centenas de sensores capazes de monitorar a composição química de fertilizantes sem a necessidade de interação humana. Um dos resultados desse projeto foi a produção de alfaces com baixo teor de potássio, um benefício de alto valor para pessoas que têm doenças renais.

Ou seja, os sensores captam e enviam dados específicos. Até aqui nada demais… o que realmente importa é o que vem após essa coleta. Os dados são tratados e analisados de tal forma que seja possível realizar a tomada de decisão necessária.

Nesse caso os dados são enviados, tratados e usados para uma tomada de decisão específica. Vejam o caso da Fujitsu, para iniciar a ideia era conseguir controlar corretamente a alimentação de vegetais com base nos dados enviados. A inteligência na apuração dos dados conseguiu levantar que uma determinada combinação era capaz de gerar um alface com menor teor de potássio.

Esse é um caso claro de como o mais importante no processo não foi o hardware, e sim a inteligência nos dados.

O que há além?

A Internet das Coisas está transformando o mundo como nós o conhecemos, criando uma rede gigante e global de dispositivos e máquinas conectados, gerando e consumindo dados.

Toda a tecnologia de envio, consumo, análise e tratamento de dados é sua grande maioria fora do hardware. Logo, existe um mundo de tecnologias que devemos conhecer se queremos realmente entrar no mercado de IoT.

Você quer comprar uma placa? Ok, mas o que você vai fazer a seguir? Apenas acender um LED? Montar uma estação meteorológica? Ok, mas o que você vai fazer com os dados? Como salvar seus dados do dispositivo?

Um projeto de IoT envolve muitas coisas como protocolos de comunicação, streaming de dados, tratamento de dados, análise de dados, etc.

Big Data e Cloud Computing são nomes facilmente associados a IoT. Sendo assim antes de comprar uma placa (o que é outra boa discussão), existe um arcabouço de conhecimento que deve ser perseguido antes de entrar no mercado de IoT.


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